terça-feira, 3 de julho de 2012

MARTINHO DA VILA - "CANTA CANTA, MINHA GENTE"


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Gravadora: RCA Victor
Prensagem: RCA Eletrônica, em sistema Dynaflex (marca registrada RCA Victor), que proporciona "um disco mais silencioso e suave, reduzindo o ruído de superfíciee melhorando sensivelmente a qualidade de reprodução do som".
Ano: 1974

Ficha técnica:
Coordenação geral: OSMAR ZANDOMENIGUI
Direção musical: HENRIQUE GASTALDELLO
Coordenação artística e direção de estúdio: RILDO HORA
Capa e posters: ELIFAS ANDREATO
Arranjos, regência e direção de coro: Maestro SEVERINO FILHO
Técnicos de som: PAULO FRAZÃO (Garrincha) e WALTER LIMA
Técnicos de mixagem: PAULO FRAZÃO (Garrincha)
MÚSICOS: Rosinha de Valença (violão e viola), Rildo Hora (violão e gaita), Valdir (banjo), Jorginho (sax alto e flauta), Manoel da Conceição (violão), Mané do Cavaco (cavaquinho), Capinha (flautim), Celso (flauta-baixo), Moacir (oboé), Formiga (piston), Zé Bodega (sax-tenor), Manoel Araújo (trombone), Geraldo (barítono), Flamarion (trombone-baixo), Toninho (trompa), Maria Célia (harpa), José Roberto (piano-elétrico), Luiz Imaginário (baixo), Chiquinha (acordeon), e cordas do Petter, tendo Pareschi como spala.
RITMO: Papão (bateria), Geraldo Bongô (tumbadora), Jorginho do Império, Serginho, Zeca da Cuíca, Gilberto, Jorge Garcia, Nenem, Chacal, Everaldo e Luiz Carlos.
Gravados nos estúdios da RCA do Rio de Janeiro em 16 canais.


FAIXAS:

Lado A

1. CANTA CANTA, MINHA GENTE
Martinho da Vila
2. DISRITMIA
Martinho da Vila
3. DENTE POR DENTE
Martinho da Vila
4. TRIBO DOS CARAJÁS (Aruanã Açu)
Martinho da Vila
5. MALANDRINHA
Freire Junior
6. RENASCER DAS CINZAS
Martinho da Vila

Lado B

1. PATRÃO, PRENDA SEU GADO
Donga, Pixinguinha e João da Baiana
2. NEGO, VEM CANTAR
Martinho da Vila
3. CALANGO VASCAÍNO
Martinho da Vila
4. VISGO DE JACA
Rildo Hora - Sergio Cabral
5. VIAJANDO
Martinho da Vila
6. FESTA DE UMBANDA
Adaptação de martinho da Vila
Direitos autorais doados aos órfãos do Lar de Santa Bárbara e São José

Eis o que escreveu o cartunista Ziraldo em texto publicado na capa interna do LP:

"Assim como todo o brasileiro entende de futebol, eu entendo de samba. O samba nasceu na Bahia e veio ficar adulto no Rio. Ora, ninguém nasce na Bahia e vem pro Rio – por terra – sem passar por Caratinga. Logo, eu estava na rota, daí esta minha segurança. Tenho também um razoável passado como juiz de festivais da canção e sempre perguntavam lá de baixo o que é que esse cara tá fazendo no júri, eu respondia com a eficiente atuação de quem acerta o resultado todo, sem errar sequer a ordem de colocação. Sérgio Cabral é testemunha. Isto significa que: ou eu entendo mesmo de música popular ou som um monstro para influenciar um júri.
Tenho, como se vê, justificativas de sobra para estar aqui, o Martinho é que não precisa do meu aval. Não sou eu que vai dizer a seu público o significado de seu samba (o que torna minha capacidade de influenciador totalmente inútil neste papo). Também não sou eu que vou falar da qualidade de seu trabalho –nesta altura do campeonato – pois seu êxito permanente e duradouro  é a explicação que poderia se fazer necessária.
Então, o que é que eu estou fazendo aqui?
Explico: tem um negócio no samba do Martinhoque eu gosto de falar dele. E que eu conheço a briga que o artista tem pra conseguir sua marca. Há, em todos os setores da criação artística, uma quantidade de gente da melhor qualidade ,cheia de ardor e talento, que passa uma vida buscando o caminho, o toque que dcefina sua sorte, o sinal que marque de maneira inequívoca sua presença na obra criada ou na comunicação estabelecida. Essa busca danada - no sentido mesmo da danação - tem o terrível dom de, muitas vezes, tornar falsa a criação, marcada mais pela angúsitia da procura do que definida como uma linguagem própria. Muito bom mesmo é quando o artista é suficientemente original para, desde o começo, falar - com qualidade - sua própria língua, inventar - sem doer errado - seu próprio código.
Martinho conseguiu isso desde o primeiro samba seu que eu ouvi. Era uma fala nova em todas as dimensões - o jeito preguiçoso e dolente de cantar, quase debochado, maravilhosamente brasileiro; o tempo absolutamente original de sua intenção melódica, amarrada de maneira íntegra a cada intenção poética, a expressão verbal com o mesmo som da melodia, tudo muito coerente.
 Fiz uma coisa correta: esperei.
Hoje, aceitei com grande prazer escrever essas notas porque posso falar com certeza: Martinho é uma das figuras mais importantes da história do samba no Brasil. Na galeria permanente dos estilos e das marcas - "Este é um samba de Noel! Isto é Ataulfo. Parece um samba de Paulinho da Viola", essas coisas que se fala quando se ouve - podem botar o retrato dele. E, se por algum momento alguém pode pensar que o Martinho estava se repetindo, ouça este disco. Ele está aqui, inteiro, com todo o seu jeito, com toda a sua MARCA.
Com um detalhe muito importante: sempre novo, como as coisas definitivas."

ZIRALDO

domingo, 1 de julho de 2012

"Disco é Cultura"

Criei este espaço na manhã de domingo do dia 1° de julho de 2012, às dez horas e cinquenta e quatro minutos, ouvindo um disco de vinil de 33 e 1/3 RPM recentemente doado a mim e cujo teor da capa interna do disco inaugura nossas postagens (vide próximo post).

A ideia deste espaço é tratar da produção cultural de artistas brasileiros e estrangeiros que construiram sua carreira no campo da música passando pelas vias da indústria do disco em sua fase áurea (disco de vinil), embora não despresando produções independentes que porventura passem pelas mãos deste blogueiro solitário - por enquanto.

Este blog é destinado a toda e qualquer pessoa que goste de música. Afinal de contas, o suporte passa a ser algo secundário quando confrontado com a obra artística em si. Em outras palavras, a música é mais importante do que o meio pelo qual a ouvimos - claro, respeitando o direito dos artistas sobre suas produções, o que abre exceção para todas as formas ilegais de distribuição. Sabemos que, em tempos de pirataria e downloads ilegais, dificilmente a indústria do disco voltará a alcançar os números de vendas registrados até o final dos anos 1980, o que remete a uma reflexão: no Brasil daquele período, em tempos de inflação elevada, instabilidade econômica, níveis de desenvolvimento mais baixos que os atuais, as pessoas de todas as classes sociais compravam LP's. Com cada unidade comprada, gastavam algo em torno de R$ 20,00 a R$ 30,00 em valores de hoje (estes números não se baseiam em cálculos precisos, sendo mera especulação). E por que agora, diante de um momento econômico mais favorável, as pessoas não compram CD's e DVD's  expressivamente como se fazia nos tempos dos LP's? Deixo a reflexão para que o leitor tire suas próprias conclusões.

Voltando a falar do blog, quero esclarecer que este espaço não se auto-intitula "Espaço Cultural" por pretensão nossa ou por ser um título pomposo, que chame a atenção. Este título é uma referência a uma afirmação impressa nas contracapas: "disco é cultura". Embora conste também nas  fichas técnicas de muitos CD's, esta frase é muito associada aos discos de vinil, mídia predominante por mais de cinquenta anos no Brasil, ao longo do século XX e que, em muitos países, continua em evidência até os dias atuais (no Brasil foi reaberta em 2010 a única fábrica de disco de vinil em atividade na América Latina).

 Em suma, este espaço será utilizado para ressaltar a imprtância do disco de vinil na história da produção musical, através do compartilhamento de informações acerca dos discos que forem passando por minhas mãos. Esperamos,  brevemente, contar com colaborações de outros simpatizantes do tema, para os quais o espaço estará sempre aberto.