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Gravadora: RCA Victor
Prensagem: RCA Eletrônica, em sistema Dynaflex (marca registrada RCA Victor), que proporciona "um disco mais silencioso e suave, reduzindo o ruído de superfíciee melhorando sensivelmente a qualidade de reprodução do som".
Ano: 1974
Ficha técnica:
Coordenação geral: OSMAR ZANDOMENIGUI
Direção musical: HENRIQUE GASTALDELLO
Coordenação artística e direção de estúdio: RILDO HORA
Capa e posters: ELIFAS ANDREATO
Arranjos, regência e direção de coro: Maestro SEVERINO FILHO
Técnicos de som: PAULO FRAZÃO (Garrincha) e WALTER LIMA
Técnicos de mixagem: PAULO FRAZÃO (Garrincha)
MÚSICOS: Rosinha de Valença (violão e viola), Rildo Hora (violão e gaita), Valdir (banjo), Jorginho (sax alto e flauta), Manoel da Conceição (violão), Mané do Cavaco (cavaquinho), Capinha (flautim), Celso (flauta-baixo), Moacir (oboé), Formiga (piston), Zé Bodega (sax-tenor), Manoel Araújo (trombone), Geraldo (barítono), Flamarion (trombone-baixo), Toninho (trompa), Maria Célia (harpa), José Roberto (piano-elétrico), Luiz Imaginário (baixo), Chiquinha (acordeon), e cordas do Petter, tendo Pareschi como spala.
RITMO: Papão (bateria), Geraldo Bongô (tumbadora), Jorginho do Império, Serginho, Zeca da Cuíca, Gilberto, Jorge Garcia, Nenem, Chacal, Everaldo e Luiz Carlos.
Gravados nos estúdios da RCA do Rio de Janeiro em 16 canais.
FAIXAS:
Lado A
1. CANTA CANTA, MINHA GENTE
Martinho da Vila
2. DISRITMIA
Martinho da Vila
3. DENTE POR DENTE
Martinho da Vila
4. TRIBO DOS CARAJÁS (Aruanã Açu)
Martinho da Vila
5. MALANDRINHA
Freire Junior
6. RENASCER DAS CINZAS
Martinho da Vila
Lado B
1. PATRÃO, PRENDA SEU GADO
Donga, Pixinguinha e João da Baiana
2. NEGO, VEM CANTAR
Martinho da Vila
3. CALANGO VASCAÍNO
Martinho da Vila
4. VISGO DE JACA
Rildo Hora - Sergio Cabral
5. VIAJANDO
Martinho da Vila
6. FESTA DE UMBANDA
Adaptação de martinho da Vila
Direitos autorais doados aos órfãos do Lar de Santa Bárbara e São José
Eis o que escreveu o cartunista Ziraldo em texto publicado na capa interna do LP:
"Assim como todo o brasileiro entende de futebol, eu entendo
de samba. O samba nasceu na Bahia e veio ficar adulto no Rio. Ora, ninguém
nasce na Bahia e vem pro Rio – por terra – sem passar por Caratinga. Logo, eu
estava na rota, daí esta minha segurança. Tenho também um razoável passado como
juiz de festivais da canção e sempre perguntavam lá de baixo o que é que esse
cara tá fazendo no júri, eu respondia com a eficiente atuação de quem acerta o
resultado todo, sem errar sequer a ordem de colocação. Sérgio Cabral é
testemunha. Isto significa que: ou eu entendo mesmo de música popular ou som um
monstro para influenciar um júri.
Tenho, como se vê, justificativas de sobra para estar aqui,
o Martinho é que não precisa do meu aval. Não sou eu que vai dizer a seu público
o significado de seu samba (o que torna minha capacidade de influenciador
totalmente inútil neste papo). Também não sou eu que vou falar da qualidade de
seu trabalho –nesta altura do campeonato – pois seu êxito permanente e
duradouro é a explicação que poderia se
fazer necessária.
Então, o que é que eu estou fazendo aqui?
Explico: tem um negócio no samba do Martinhoque eu gosto de falar dele. E que eu conheço a briga que o artista tem pra conseguir sua marca. Há, em todos os setores da criação artística, uma quantidade de gente da melhor qualidade ,cheia de ardor e talento, que passa uma vida buscando o caminho, o toque que dcefina sua sorte, o sinal que marque de maneira inequívoca sua presença na obra criada ou na comunicação estabelecida. Essa busca danada - no sentido mesmo da danação - tem o terrível dom de, muitas vezes, tornar falsa a criação, marcada mais pela angúsitia da procura do que definida como uma linguagem própria. Muito bom mesmo é quando o artista é suficientemente original para, desde o começo, falar - com qualidade - sua própria língua, inventar - sem doer errado - seu próprio código.
Martinho conseguiu isso desde o primeiro samba seu que eu ouvi. Era uma fala nova em todas as dimensões - o jeito preguiçoso e dolente de cantar, quase debochado, maravilhosamente brasileiro; o tempo absolutamente original de sua intenção melódica, amarrada de maneira íntegra a cada intenção poética, a expressão verbal com o mesmo som da melodia, tudo muito coerente.
Fiz uma coisa correta: esperei.
Hoje, aceitei com grande prazer escrever essas notas porque posso falar com certeza: Martinho é uma das figuras mais importantes da história do samba no Brasil. Na galeria permanente dos estilos e das marcas - "Este é um samba de Noel! Isto é Ataulfo. Parece um samba de Paulinho da Viola", essas coisas que se fala quando se ouve - podem botar o retrato dele. E, se por algum momento alguém pode pensar que o Martinho estava se repetindo, ouça este disco. Ele está aqui, inteiro, com todo o seu jeito, com toda a sua MARCA.
Com um detalhe muito importante: sempre novo, como as coisas definitivas."
ZIRALDO
